domingo, novembro 12, 2006

Meu armário:uma viagem na minha história

Sabe aquele dia em que a gente resolve arrumar o quarto, tirar a poeira, ver se as coisas antigas ainda prestam, separar os documentos, verificar se os papéis não estão se acumulando demais ou ter certeza de que isto está acontecendo? Pois é, fiz isso por esses dias e me deparei com cada coisa....

Uma delas, foi achar um livrinho encadernado datado de 1998, chamado RETRATOS DA VIDA – Redações Premiadas. Pensei alguns minutos porque aquilo estaria entre minhas recordações...aliás, vou abrir um parêntese, sou uma garota de recordações: guardo cartas de amor, fotos de ex-namorados, cartinhas da época da escola, bilhetinhos mais picantes da hora das aulas, cartões de aniversário, quadro pintado por sogra e toda essa parafernália que mulher romântica e nostálgica gosta de guardar. Fecha parêntese. E me diverti muito fazendo essa arrumação...

Terminei lembrando que havia sido premiada, quando eu era 7ª série e estudava no Colégio Atual, por um texto que escrevi. Resolvi procurar no índice e localizar meu nome. Descobri que o poema que havia escrito tinha um título bem estranho pra uma garota de 13 anos, confirmando que sempre fui meio excêntrica ou, na verdade, uma pirralha muito enxerida e metida a gente grande. Observem o poema:

Título: Traição

Ao olhar o pôr-do-sol, vejo você,
Tão brilhante e caloroso quando se vê.

Vejo o pôr-do-sol como o amor,
Pois quanto mais aparece
Mais se tem calor.

O sol não está ficando tão quente,
Não entendo o porquê
Mas acho
Que há alguém entre a gente.

Essa pessoa estragou
O que havia entre nós dois

Escuto dizer
Que o amor não se acaba,
Mas o que sinto por você
É uma paixão inacabada.

Realmente, esse poema merece comentários! Primeiro, assunto muito polêmico para uma criança, mas tudo se explica: ano de separação de meus pais. Segundo, a terceira estrofe realmente está muito nada a ver...o que uma criança não faz para rimar né? “O sol não está ficando tão quente”...não sei a época do ano nem o período do dia, coisas da imaginação pueril. A quarta estrofe está um comentário à parte, um pensamento que havia ficado na cabeça e eu soltei no papel, sem querer, mas usando muita psicologia, podemos dizer que deu um toque original, né?

Muito bom ter em minhas recordações traços da minha vida, verificar que um dia fui uma pirralha metida a escritora e agora puder rir de mim mesma...

Monique Mendes

sábado, novembro 11, 2006

O mundo pede + de você

Existem momentos em que o cérebro não aceita conhecimento. Insiste em pensar besteiras, em deixar-se levar pela brisa de lugares inesquecíveis, pelo sorriso de um amigo, pela saudade que arrebata, por assuntos libidinosos e secretos. Êta cabeça que não pára quieta e que não se prende às minúsculas letras que estão a centímetros de nós.

De repente, 15 minutos se passaram. Nova tentativa. Lê-se mais meia página e novos pensamentos: é um programa legal que vai passar na tv, a caixa de e-mails que há dias não é aberta, o telefone que toca, a fome que surge subitamente, o banheiro que se torna um refúgio. Assim, o relógio, que apontava como um parelelo, já se transformou em um meridiano na parede.

Contudo, o mundo pede mais de você. Os projetos possuem prazos, as provas têm data marcada, as explanações exigem excelência, os conhecimentos, fixação na cabeça. Tudo é para ontem ou para semana passada. A partir daí, os sintomas da angústia começam a aparecer: você se sente um tolo, um inútil, um vagabundo. Imagina que todos os seus amigos, inclusive seu namorado(a), estão lutando pelos seus planos de vida e você ali pensando em abobrinhas...

Aí é que não entra mais nada mesmo. Tem horas que o corpo pede pausa, que não tolera mais tanta pressão. Aí o jeito é deixar de lado aqueles signos monótonos e procurar, momentaneamente, algo mais interessante. Observe: momentamente, pois o mundo pede mais de você.

Monique Mendes

sexta-feira, novembro 10, 2006

Pensamentos a la Mainardi

Percebo que a incendiária que existia em mim esmoreceu com a realidade judiciária. Sonhava em ser advogada, mas isso não se encaixa mais. Desejava ser juíza, mas os juízes são arrogantes demais. Anseio por ser procuradora, e essa é minha única saída. Quiçá uma saída pela culatra, pois volto ao ponto de partida: ser advogada do Estado é talvez ser “advogada do diabo”.

O odor sulfúrico e carcomido exalado nos corredores dos tribunais corrói minha alma, escasseia minhas forças, torna hesitante minha escolha profissional. Tento salvar-me numa tempestade de formalismos, preconceitos, julgamentos insanos e desumanos. O conflito entre os cidadãos tornou-se apenas páginas descritivas de uma verdade dúbia, defendida por argumentos terceirizados, e que mofam nos arquivos públicos, mas que possuem tutela normativa.

Odeio essa tal de norma que cala os questionamentos humanos e arrefece as diversas possibilidades da vida. Ela priva as pessoas de serem homossexuais, preconiza uma religião como se ela fosse a melhor, obriga pobre a pagar imposto, permite senadores decidirem seus próprios salários. Não vejo justiça nisso. Acho que as molas-mestres da vida são princípios, pois sua generalidade torna possível a diversidade, privando apenas o antagonismo, aquilo que realmente impossibilitaria a convivência pacífica entre os seres humanos.

Em contrapartida, concordo que nossa vida é recheada de complexidades, o que nos faz crer que a especialidade das normas seria a solução. Contudo, temos inúmeras leis extravagantes, mas que não é de conhecimento popular. Nada feito. O uso do vernáculo erudito num país de analfabetos impossibilita a simpatia pela norma, torna-a distante, intangível. E não me venha com o argumento de que o problema do Brasil é a educação. Concordo, mas pensar assim é acomodar-se, é voar em órbitas fora do pragmatismo e da reação, pois se direito e educação se conectam, aí jaz a solução.

Sinto-me um Diogo Mainardi, mas calma, tudo não passa de uma elucubração cá nos meus botões...

Monique Mendes

quinta-feira, novembro 09, 2006

////Código///de////Barras////

Tive sobre meus olhos, recentemente, versos de um homem apaixonado por uma doce garota, que agora espelha seus setenta e poucos anos. Um amor antigo, que a viuvez deixou renascer, mas um amor bonito, gostoso de se ver.

Aquela historieta versificada tratava de um lindo sapatinho branco, atacadinho de lado, símbolo da presença graciosa daquela jovem nos encontros da igreja, nas padarias e sorveterias de décadas e séculos passados. Aquele delicado calçado, por sua ternura e distinção, assemelhava-se à dona e ao sentimento por ela em seu coração.

Aqueles versos me comoveram, fizeram-me arrepiar. Não sei se porque hoje não temos mais sapatinhos brancos atacadinhos de lado, inspiradores de versos românticos, ou porque temos poucos poetas e amantes como aquele.

Queria ter algum símbolo especificamente meu, mas tenho receio das simbologias atuais. Não quero ser conhecida como garota diesel, menina fórum, mulher adidas. Não quero ter alguém que observe tais selos costurados em calças, blusas ou sapatos como condição de aproximação ou encanto. A futilidade hodierna não permite mais paixões por sapatinhos brancos, sem moda, sem preço, sem marca. É a geração do “ter”, do “parecer”, do “possuir”. Tudo é enquadrado em perspectivas consumeristas, em que nos tornamos reflexo do que vestimos e reféns do que está escrito em uma etiqueta.

Deixemos todo esse arcabouço de lado. Que sejamos lembrados pelo valor evocativo e mágico das coisas. E já que não fugimos dos símbolos, que eu seja nada que tenha código de barras.

Monique Mendes

quarta-feira, novembro 08, 2006

Desculpem o silêncio

Desculpem o silêncio, a ausência, o afastamento
É que estive perdida em meus pensamentos
Por motivos da vida ou apenas uma desculpa esfarrapada
Só isso que posso falar, e mais nada.

Não sei se os verdadeiros escritores se afastam de seus escritos
Ou talvez essa seja apenas a reação de uma amadora
Pois pensar em escrever é pensar no que sinto
E por não sentir, não me fiz autora.

Resolvi arejar minha mente e deixar o peito gélido
Nada de pensar na vida e em suas conseqüências
Mas assim me sinto um ser esquelético
Sem vigor, sem amor, sem essência.

Nesse tempo, fiz-me errante
Vagando em horizontes afáveis
Amainando a dor intrigante
Sambando composições indecifráveis

E com esses singelos versos
Me recomponho e estou aqui
Pois tristezas na vida acontecem,
o que nos resta é sorrir!

Monique Mendes