sexta-feira, maio 11, 2007
Quem escreveu 1º??
segunda-feira, maio 07, 2007
Despedida

Sinto-me como as donzelas da Idade Moderna despedindo-se de seus marinheiros. Independente dos momentos que passou, das juras de amor que escutou, dos planos que realizou, a perspectiva de futuro faltou, pois o dever de marinheiro para outro porto o levou.
Entretanto, mesmo precisando conviver com as vírgulas do porvir, mesmo combatendo a dor do inexorável fim, mesmo enfrentando a despedida e o vazio que ela traz em si, prefiro chorar o fim do que vivi a lamentar os carnavais que não me permiti, apesar de superá-los não ser tão fácil assim.
E, tentando degustar os fatos, convenço-me de que viver é batalhar com o tempo cada minuto assim, e que talvez a saída seja aliar-se ao meu tenebroso inimigo, que com seu poder, transformará a dolorosa despedida em doce saudade nos meus dias mortais com fim.
Monique Mendes
quarta-feira, abril 18, 2007
Sentença mortal do pensamento
Ultimamente, o lema da juventude tem sido “cabeça vazia,oficina do diabo”. Analisando essa máxima, que expressa uma sentença moral, suponho, baseando-me na atitude popular, que esse provérbio deva ter surgido juntamente com a ideologia burguesa-capitalista e, não despretenciosamente, de inúmeros inferninhos que o excesso do ócio deva ter provocado nos relacionamentos humanos a ponto de torná-lo ditado popular.Da cama pro trabalho, do trabalho pra universidade, da universidade pro cursinho, do cursinho pra academia, da academia pra cama novamente. E, quando nos deitamos, nem cinco minutos de reflexão, e já estamos babando em nossos travesseiros em sono profundo. Assim, não há tempo para ler um bom livro, escrever bons textos, discutir política, disseminar ideologias, questionar a realidade, mesmo que ela massacre todos os dias.
terça-feira, abril 17, 2007
Formalismo de guerra, informalismo de paz
Ao ler o Código Civil, mesmo depois de diversas reformas, deparo-me com algumas anomalias ininteligíveis, impressiono-me com a sua burocracia desarrazoada. Por outro lado, tento compreender que os legisladores buscam regulamentar os diversos aspectos da vida humana para termos normas que tutelem nossos direitos. Mas, o que não compreendo, é a necessidade do formalismo como tratam as relações humanas que têm, em seu bojo, o informalismo.Por exemplo, por que criar normas sobre “emancebados” se assim o são por não acharem necessário todo o fadigável formalismo do casamento para viverem juntos? Entretanto, com o crescimento da mancebia no Brasil, lá vem o legislador denominá–la de união estável, adaptar cônjuge por companheiro, substituir pacto antenupcial por pacto de convivência e, ainda, para igualar a problemática contratual, inserir regime de bens.
Desse modo, todo o informalismo que se buscava pelo simples ato de “juntar os trapos”, deixando o amor reger o relacionamento e administrar o tempo cai por terra, transformando tudo num contrato apenas de nome diferenciado.
Daqui a pouco, os que antes fugiam da burocracia do casamento, fugirão também da união estável, pois sempre haverá um brasileiro que buscará um meio de burlar o formalismo regulado nos códigos para viver em seu informalismo de paz.
segunda-feira, abril 16, 2007
Antinatural
A luminosidade da cidade ludibria a natureza da escuridão do céu, a excentricidade da órbita astral, a pureza da cor selênica. Luzes amarelas estáticas, alinhadas, criptografadas pelas ruas, avenidas, becos e esquinas estruturam um vasto formigueiro turbulento, barulhento, violento. E escondem o baixo sibilar das cobras, o coaxar dos sapos, o estridular das cigarras.Os decibéis dos motores automotores contagiam os nossos ouvidos, condenando-nos a sermos quase surdos. As imagens televisivas, coloridas e emitidas via satélites, nos fazem perder os vôos mais encantadores das borboletas, e os esgotos, com seu odor sulfuroso e carcomido, entopem nosso olfato de podridão, impedindo sentirmos o cheiro das flores, dos seres humanos e dos ventos que trazem novidades.
E, nesse universo, vangloriamo-nos do desenvolvimento. Desejamos mais os asfaltos e as “construções arranha-céus”, contentando-nos com as míseras quotas-partes de área verde arbitradas pela prefeitura de nossas cidades. Encangados uns aos outros e limitados por pedaços de terras amontoados, pagamos em dólar pelo desconforto, pela falta de privacidade e pelo aquecimento de nossas cidades.
Por isso, fazemos de nossos feriados um momento de resgate da natureza que existe
E, assim, nessa intriga entre resgatar a natureza dos “índios preguiçosos” que existe em nós e abandonar um sistema que ordena sermos produtivos para sermos felizes, é notória a disseminação da tristeza nas páginas dos livros, nos diários anônimos, nos bloggers e nos fotologs.
