
Espero que terminem logo a Via Mangue.
Monique Mendes
O meu-eu e o mundo como uma simples brincadeira...

Chegou na simplicidade para fazer da sua companhia algo decifrável. Mas os cabelos cortados de lado, a maquiagem exagerada, as roupas de marca despistaram suas palavras. Aproximou-se dos próximos. Entretanto, por comparecer com vestuário incompatível, fora de moda, interessou apenas aos olhares tortos, aos sorrisos forçados como motivo de deboche.
Certa vez, li em um texto a configuração de um pensamento genial. Inicialmente maluco, talvez pela sua excentricidade, relacionava os comportamentos sociais femininos à culpa do pecado original. Isso mesmo, pagamos socialmente pelo vacilo de Eva.Metaforicamente representado pela maçã mordida no paraíso, o pecado original, na tradição judaico-cristã, trouxe as desventuras para o mundo, sendo sua grande responsável Eva que, seduzida pela serpente, suscitou a enérgica ira divina através das seguintes palavras:“Multiplicarei os sofrimentos de teu parto: darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio.”
Fato é que vivemos numa sociedade de tradição judaico-cristã. As mulheres, em sua maioria, deixaram o tricô de lado, abandonaram os fogões e os tanques de lavar roupa. Palmas para elas! Mas as aulas de religião de um país cristão deixam os deveres sociais femininos mais fortemente incrustados do que essa simples mudança de ações.
Quantas mulheres pensam em não casar ou juntar seus trapos? Quantas não desejam ser mães? Quantas se culpam por sentirem-se incompetentes quando tem frustrado seus casamentos? Quantas não invejam a liberdade dos homens, seja por não se sentirem culpados por serem mulherengos, seja por passarem pelas cabeças deles serem apenas “bon vivants”? Quantas pensam em terminar a vida com apenas um namoradinho a tiracolo? Não..querem logo amarrar o burro e, aos 25 anos, quando estão solteiras, já acham que vão ficar para titia e se sentem feias e pouco desejadas.
Também, depois de um castigo desses?! Ser culpada pelos pecados do mundo, dar vida a alguém com uma dor imensurável, ser excitada apenas pelo seu marido e ser submissa a ele. Que piano! Parece uma idéia sem sentido, ou intrinsecamente religiosa, mas comecem, mulheres, a observar seus comportamentos...somos ainda, psicologicamente, Evas ou modernas Amélias do século XXI.

Decepcionante verificar que, há pouco, encaravas os olhos do amor e, de repente, uma brisa morna despistou, trazendo um novo sentimento, um novo interesse ou velhas lembranças que o passado se enganou.
E assim ficou no teu corpo feito tatuagem, para apenas te dar coragem, argúcia e sabedoria pra seguir viagem, até que um novo amor venha.